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	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica da área da neurologia e outros profissionais de saúde envolvidos no tratamento das doenças do foro neurológico.</description>
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		<title>“É importante aumentar a literacia das pessoas para as consequências da privação do sono”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Mar 2022 10:36:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[literacia em saúde]]></category>
		<category><![CDATA[sono]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito do Dia Mundial do Sono, que se assinala a 18 de março, a&#160;Prof.ª Doutora Teresa Paiva, neurologista e especialista em doenças relacionadas com o sono, alerta para a importância da consciencialização sobre os riscos da privação do sono. Em entrevista à My Neurologia, a especialista identifica este problema como o problema mais comum [&#8230;]</p>
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<p>No âmbito do Dia Mundial do Sono, que se assinala a 18 de março, a&nbsp;<strong>Prof.ª Doutora Teresa Paiva</strong>, neurologista e especialista em doenças relacionadas com o sono, alerta para a importância da consciencialização sobre os riscos da privação do sono. Em entrevista à My Neurologia, a especialista identifica este problema como o problema mais comum nos portugueses.</p>
<p><span id="more-1361"></span></p>
<p>A Prof.ª Doutora Teresa Paiva refere que a maioria da população privilegia outras atividades em oposição às horas de sono, contribuindo para “problemas graves tanto da saúde física como psíquica”. A privação do sono acarreta também doenças associadas. Nesse sentido, “é importante aumentar a literacia das pessoas para que não privem o sono, fazendo-as compreender que existem consequências”.</p>
<p>Os casos de insónias são “frequentes”, partilha, podendo ter diferentes causas, tais como traumas, perdas e agressões violentas ou até mesmo a apneia. “Cada insónia é um caso diferente e deve ter um tratamento personalizado”, salienta, sendo preciso focar-se primeiramente na mudança de hábitos e das crenças associadas ao sono. Consoante o caso de cada pessoa, pode recorrer-se também a terapias cognitivo-comportamentais.</p>
<p>Por vezes, “existem doenças do sono, neurológicas ou psiquiátricas, em que o tratamento da respetiva doença está aliado ao tratamento do sono”. Apesar disso, a insónia pode persistir, tornando-se “o prognóstico mais difícil em relação ao sucesso terapêutico”. &nbsp;</p>
<p>“O tratamento farmacológico é muito importante.” Contudo, alerta para a importância de verificar o fármaco mais adequado para cada caso consoante as características do sono de cada pessoa. Apesar disso, a especialista afirma-se contra o uso indiscriminado de melatonina em adultos e crianças, podendo bloquear a sua produção endógena. “É necessário haver uma suspeita concreta de falta de produção de melatonina e um distúrbio associado a essa não-produção para que faça sentido esse tratamento.”</p>
<p>As benzodiazepinas geram dependência e aumentam os problemas de memória, não sendo por isso aconselhadas pela neurologista, principalmente em pessoas com mais de 60 anos, já que pode aumentar os riscos para outras doenças, como o cancro, a demência e a morte precoce. Por estes motivos, “a insónia deve ser tratada com delicadeza”, recorrendo a terapêuticas de benzodiazepinas apenas em casos muito específicos. “Não se devem dar grandes doses de remédios e os aumentos de dosagem devem ser feitos progressivamente, assim como a descontinuação dos mesmos.”</p>
<p>O diagnóstico da apneia obstrutiva do sono “deve ser feito por polissonografia tipo 1 ou tipo 2, com eletroencefalograma incluído no registo”. A neurologista indica que “os exames mais simples sem o eletroencefalograma, chamados estudos cardiorrespiratórios, têm problemas na deteção das hipopneias. Como não identificam o microdespertar, os diagnósticos podem ser errados”, refere.</p>
<p>Outro distúrbio conhecido no sono é o sonambulismo, considerado “mal diagnosticado” pela especialista, já que deve ser avaliado vários fatores como a idade da pessoa, o próprio acontecimento e os fenómenos associados bem como a sua memória após acordar. Após a confirmação do caso, devem identificar-se os catalisadores e evitá-los.</p>
<p>Em alguns casos, a privação de sono faz aumentar o sono profundo, propiciando o sonambulismo. Noutros casos, pode estar associado a determinados fármacos ou ao consumo de álcool. Exercício físico exagerado pode ser outro fator associado a um episódio de sonambulismo.</p>
<p>A paralisia do sono é outro problema “preocupante” para os doentes. Esta patologia consiste “numa saída anormal do sono REM onde há uma dissociação entre a mente e o corpo”, explica, podendo surgir como sintoma isolado ou no quadro de uma narcolepsia. Neste último caso, a doença deve ser devidamente tratada. E acrescenta: “Para combater este problema, é importante não fazer a privação de sono, evitar drogas e determinados fármacos e evitar, se possível, o sono pela manhã porque potencia ainda mais a paralisia do sono.” Sintomas como o excesso de sonolência, a perda de força muscular relacionada com as emoções, episódios de paralisia do sono e alucinações hipnagógicas revelam o diagnóstico da doença.</p>
<p>Por fim, a Prof.ª Doutora Teresa Paiva faz recomendações para evitar o cansaço extremo e facilitar a qualidade do sono. “É importante que as pessoas não se cansem demais. É importante as pessoas reconhecerem os seus limites, evitando excessos de horas de trabalho e fazendo pausas durante o dia.” A atividade física, o contacto com o ar livre e uma boa alimentação são importantes para equilibrar o cansaço.</p>
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		<title>Lisbon Sleep Summit: comunidade científica e civil discutem o sono das mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Apr 2018 10:26:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Lisbon Sleep Summit]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina do Sono]]></category>
		<category><![CDATA[sono]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De 16 a 19 de maio, Lisboa será a “capital do sono”, graças à realização da primeira edição da Lisbon Sleep Summit. Promovida pela Prof.ª Doutora Teresa Paiva, neurologista e responsável pelo Centro de Medicina do Sono (CENC), a iniciativa vai focar-se no “sono nas mulheres”, procurando avaliar o impacto de fatores internos e externos [&#8230;]</p>
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<p>De 16 a 19 de maio, Lisboa será a “capital do sono”, graças à realização da primeira edição da Lisbon Sleep Summit. Promovida pela Prof.ª Doutora Teresa Paiva, neurologista e responsável pelo Centro de Medicina do Sono (CENC), a iniciativa vai focar-se no “sono nas mulheres”, procurando avaliar o impacto de fatores internos e externos em qualquer idade e discutir as diferenças entre géneros no âmbito da Medicina do Sono. Em entrevista, a especialista conta como surgiu a ideia de organizar um evento neste âmbito e desvenda alguns dos temas em destaque.</p>
<p><span id="more-114"></span></p>
<p><strong>My Neurologia (MN) | Como surgiu a ideia de organizar o <a href="http://www.lisbonsleepsummit.org/" target="_blank" rel="noopener">Lisbon Sleep Summit</a>, que se centra especificamente no sono das mulheres?</strong><br /><strong>Prof.ª Doutora Teresa Paiva (TP) |</strong> Muitos dos estudos que existem são feitos com base no sexo masculino. Efetivamente, o sono da mulher tem características muito especiais. Por um lado, porque a mulher tem períodos hormonais específicos – menarca, ovulação, menstruação, menopausa, gravidez, parto. Por outro, porque a mulher ultrapassa desafios sociais e culturais muito interessantes em todo o mundo, e sabe-se que as más condições de vida afetam imenso o sono.</p>
<p><strong>MN | Em que consiste o evento? Quais os principais objetivos?</strong><br /><strong>TP |</strong> Um dos objetivos é fomentar o estudo do sono nas mulheres. Mas existem outros. A mulher tem uma carreira profissional e filhos, o que condiciona fortemente a sua vida e o seu sono. Muitas vezes, ela é também exposta a diferentes tipos de violência. Depois, há a mulher que tem de ter, para além do trabalho e dos filhos, uma vida com saúde, fazer exercício e alimentar-se corretamente. Estes assuntos têm de ser discutidos, no sentido de tentar perceber como é que o exercício e a alimentação interferem com o ambiente para resolverem problemas. Assim, convidámos peritos em nutrição e desporto, e também desportistas, para falarem acerca do sono nas suas vidas. Em relação à dor, ela é muito mais sentida pelas mulheres do que pelos homens, o que também vai potenciar as insónias.</p>
<p><strong>MN | A quem se dirige o evento?</strong><br /><strong>TP |</strong> Este evento dirige-se a profissionais de saúde e aos cidadãos no geral. Entre os preletores vão estar advogados, jornalistas, desportistas, farmacêuticos, cientistas internacionais, médicos e psicólogos. Portanto, tem o objetivo de pôr os profissionais a falar com os cidadãos. Assim, é importante para os profissionais e para os cidadãos que se interessem pelo assunto.</p>
<p><strong>MN | Qual a importância do sono para o bem-estar do ser humano? E o que acontece quando não se descansa o suficiente?</strong><br /><strong>TP |</strong> O sono é um processo bastante ativo, para o corpo e para o cérebro, com fases de grande diminuição das atividades motoras e cognitivas e períodos com grande atividade motora e cardiovascular. A forma mais simples de explicar a importância do sono é dizer que quem dorme demasiado e quem dorme pouco tem riscos acrescidos de cancro, acidentes, morte precoce, diabetes, hipertensão arterial, entre outros. Portanto, os riscos são tão sérios que nós temos de pensar em como o sono é essencial para a vida, tendo de ser integrado no nosso quotidiano de forma inteligente e positiva.</p>
<p><strong>MN | Considera que o sono é algo subvalorizado nos dias de hoje?</strong><br /><strong>TP |</strong> Eu creio que é bastante desvalorizado. Portugal tem, em comparação com os restantes países da Europa, índices assustadores no consumo de medicamentos para dormir. Para além disso, as pessoas começam a vida muito cedo e acabam muito tarde. Esta mistura vai, forçosamente, reduzir o sono. <br />Outra forma de medir é através do índice de felicidade. A maior parte dos países europeus está à frente de Portugal. Temos de começar a pensar que não é por sermos pequenos que temos de trabalhar mais. Segundo estatísticas da OCDE, somos o quarto país da Europa a trabalhar mais. Isto é um disparate. Há qualquer coisa de errado no nosso comportamento relativamente a isto.</p>
<p><strong>MN | Idealmente, quantas horas se deve dormir por dia? Varia mediante idade e sexo?</strong><br /><strong>TP |</strong> As mulheres têm tendência a dormir um pouco mais que os homens e a viver mais tempo. O sono depende da idade. Os adultos até aos 65 anos devem dormir entre sete e nove horas, que é muito mais do que nós dormimos. A média em Portugal é cerca de 6,6 horas, que está muito abaixo do recomendado. Este é mais um indicador de que o que estamos a fazer é um enorme disparate.</p>
<p><strong>MN | Na sociedade atual, o acesso a computadores, telemóveis e outros meios audiovisuais está muito sedimentado, sendo que muitas pessoas passam o dia inteiro em frente a um ecrã para trabalhar. Em que medida esta realidade afeta o sono? </strong><br /><strong>TP |</strong> Os computadores e os telemóveis são coisas ótimas, não podemos pensar que são coisas más. O problema é a forma como são usados. E a forma como são usados é que é muito questionável. Portanto, quando se usa o computador ou o telemóvel a horas excessivas até adormecer, vai-se, inevitavelmente, dormir pior. Este é o problema.</p>
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