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	<title>ELA Archives - My Neurologia</title>
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	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica da área da neurologia e outros profissionais de saúde envolvidos no tratamento das doenças do foro neurológico.</description>
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		<title>Importância da gestão multidisciplinar do doente com ELA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 10:28:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A propósito do Dia Mundial da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), assinalado a 21 de junho, a pneumologista Alexandra Mineiro, detalha, em entrevista, aspetos relacionados a prevalência, incidência e diagnóstico. A especialista da ULS São José, aponta também as unmet needs desta patologia que, apesar de rara, muito impacta a qualidade de vida dos doentes. News Farma (NF) [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A propósito do Dia Mundial da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), assinalado a 21 de junho, a pneumologista <strong>Alexandra Mineiro,</strong> detalha, em entrevista, aspetos relacionados a prevalência, incidência e diagnóstico. A especialista da  ULS São José, aponta também as <em>unmet needs</em> desta patologia que, apesar de rara, muito impacta a qualidade de vida dos doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>News Farma (NF) I</strong>&nbsp;<strong>O que é a esclerose lateral amiotrófica?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Alexandra Mineiro (AM) I&nbsp;</strong>A esclerose lateral amiotrófica (ELA) pertence a um grupo de doenças – doenças do neurónio motor – e é a forma mais frequente. Trata-se de uma doença neurodegenerativa crónica, multissistémica, que se deve à perda progressiva de determinadas células do neurónio motor, localizadas a nível cerebral e na medula. Como consequência vamos ter fraqueza muscular, rigidez e atrofia muscular, com declínio de funções motoras e impacto elevado na qualidade de vida dos doentes afetados. Pode ainda ocorrer compromisso comportamental e cognitivo, em até 50% dos doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Qual é a incidência e prevalência desta doença a nível global, e a nível nacional?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AM&nbsp;</strong>| Sendo uma doença rara, é difícil determinar valores reais. Embora varie com a idade, o sexo e a região, sabe-se que o pico de incidência da ELA ocorre aos 70 anos, a taxa de incidência é de cerca de 1.7 por cem mil pessoas ano e a prevalência é de 4.5 por cem mil pessoas, numa revisão recente da literatura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os caucasianos têm taxas mais altas de ELA do que outras raças. Antes dos 65-70 anos de idade, a incidência de ELA é maior nos homens do que nas mulheres, mas depois disso a incidência entre homens e mulheres é igual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os únicos fatores de risco conhecidos são a idade e a história familiar. A sobrevida média é de três anos após o início da doença, e a morte ocorre por insuficiência respiratória.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Quais os principais sintomas da doença?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AM |</strong>&nbsp;O doente pode apresentar-se inicialmente com falta de força num membro, atrofia e espasmos musculares. Ou dificuldades no discurso, aumento da salivação e engasgamento frequente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Discriminando um pouco mais, existem várias formas de apresentação da doença: a medular, a bulbar e outras formas respiratórias de manifestação da doença. Também está descrito uma forma de início como uma demência que poderá ser de carácter genético.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A forma medular é a mais frequente e envolve os músculos dos braços e pernas, provocando dificuldade ao nível da marcha e dificuldades na locomoção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A forma bulbar está associada à dificuldade na articulação das palavras, alterações na mastigação e na deglutição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As outras formas respiratórias podem traduzir-se na falta de ar, tosse ou dificuldade em estar deitado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A progressão da doença é variável, acabando sempre por existir um envolvimento difuso de todos os músculos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Qual a causa ou o mecanismo subjacente a ELA?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AM |&nbsp;</strong>&nbsp;A causa da doença permanece desconhecida na maior parte dos doentes. Em cerca de 20% é possível identificar uma mutação genética. Entre possíveis mecanismos envolvidos na fisiopatologia de ELA estão o <em>stress</em> oxidativo, a disfunção mitocondrial, alterações do sistema imunitários, toxicidade ao glutamato ou exposição a tóxicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Como se realiza o diagnóstico de ELA?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AM |</strong>&nbsp;Perante a suspeita de ELA, o próximo passo é a realização de eletromiografia, mas outros exames podem ser necessários, até porque é um diagnóstico de exclusão de outras patologias que também possam explicar os sintomas. Nalguns casos os testes genéticos podem confirmar o diagnóstico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF |</strong>&nbsp;<strong>E como se controla a progressão da doença? Existem terapêuticas utilizadas que auxiliam o especialista neste contexto?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AM&nbsp;I</strong> Existe um conjunto amplo de recomendações que permitem manter autonomia nas atividades de vida diária, nos aspetos nutricionais e no suporte ventilatório, essencialmente. A terapêutica farmacológica é facultada a todos os doentes e existe extensa investigação em estudo com fármacos inovadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | Qual o impacto físico da ELA no doente e nos cuidadores?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AM</strong>&nbsp;<strong>|</strong> Os cuidadores prestam cuidados físicos e emocionais, desde a assistência a atividades de vida diária, toma de medicação, a todas as complexidades de um doente com ELA. É uma atividade exigente que pode levar a elevado&nbsp;<em>stress</em>&nbsp;e potencial&nbsp;<em>burnout&nbsp;</em>para o cuidador. Daí a necessidade de estabelecer sistemas de suporte externos bem organizados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Quais os maiores desafios associados ao diagnóstico e gestão da doença?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AM |</strong>&nbsp;A perda de autonomia é incontornável, e os apoios existentes são escassos a nível de recursos de saúde. Não existem programas específicos de apoio ao domicílio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando existe, o apoio logístico é limitado e indiferenciado relativamente a outras patologias. É fundamental o trabalho realizado por associações de apoio a doentes e familiares, por serem informativas e permitirem o acesso a tecnologia nos casos com dificuldades de comunicação e défices cognitivos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF |&nbsp;</strong><strong>Os sintomas iniciais variam e podem ir desde fraqueza muscular assimétrica, dificuldades na fala, engolir ou respirar, culminando em insuficiência respiratória. Como pneumologista, como gere esta função pulmonar comprometida no doente com ELA?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AM</strong>&nbsp;| Logo desde o início da doença é fundamental a avaliação da função pulmonar e realização de diferentes testes que permitem determinar o atingimento dos músculos respiratórios. Tanto no momento do diagnóstico como depois com monitorização regular da função respiratória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ventilação não invasiva pode aumentar a sobrevida e a qualidade de vida nestes doentes. Deve ser introduzida quando aparecem sintomas de hipoventilação ou declínio da função respiratória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por ser um equipamento flexível e não invasivo é geralmente bem aceite pelos doentes e respetivos cuidadores. Pode ser associado a outros cuidados respiratórios e permite apoio para realização de exames que requerem sedação, fazendo com que seja possível apoio diferenciado em diferentes fases da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Já os equipamentos de tosse assistida permitem uma tosse eficaz e impedem a obstrução brônquica por secreções.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF | A abordagem da ELA deve ser multidisciplinar, pode comentar quais as especialidades, que na sua opinião são cruciais envolver nesta jornada progressiva da doença no doente?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AM</strong>&nbsp;| O doente com ELA deve ser acompanhado, desde o diagnóstico, em consulta de Neurologia e Pneumologia. O apoio por Nutrição, Medicina Física e Reabilitação, Gastroenterologia, são implementados de acordo com as necessidades do doente. Medidas de fim de vida devem ser discutidas desde o início, e à medida que a doença vai progredindo. A orientação por Psicologia e Cuidados Paliativos complementam as restantes especialidades e permitem uma abordagem ampla das principais dificuldades associadas à doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Que novidade ou&nbsp;<em>unmet needs</em>&nbsp;gostaria que o futuro trouxesse de modo a poderem controlar a progressão da doença ou até facilitar a sua gestão clínica?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>AM</strong>&nbsp;| Há todo um trabalho de organização vasto ainda por realizar. Do ponto de vista clínico, a atualização de normas dirigidas ao tratamento destes doentes, incluindo recomendações atualizadas, teriam todo o interesse.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A constituição formal de unidades multidisciplinares, hospitalares, para referenciação dos doentes, sem tempos de espera e garantindo os cuidados necessários seria uma mais valia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">À semelhança do que acontece noutras áreas são doentes complexos e frágeis. O apoio de enfermagem, fisioterapia e técnico de cardiopneumologia deveria estar garantido nas consultas, para avaliação global do doente e complementando o trabalho médico.</p>
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