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	<title>My Neurologia</title>
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	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica da área da neurologia e outros profissionais de saúde envolvidos no tratamento das doenças do foro neurológico.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 04 Aug 2026 14:35:45 +0000</lastBuildDate>
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	<title>My Neurologia</title>
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		<title>Nova estratégia terapêutica visa travar a progressão da doença de Alzheimer e outras tauopatias</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 14:35:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A descoberta de um mecanismo biológico inédito para bloquear a entrada da proteína tau nos neurónios valeu ao projeto liderado por Nuno Apóstolo, investigador do MIA-Portugal (Universidade de Coimbra), um prémio monetário de 20 mil euros, que poderá ser complementado, numa fase posterior, por um investimento adicional de 30 mil euros para apoiar o desenvolvimento [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A descoberta de um mecanismo biológico inédito para bloquear a entrada da proteína tau nos neurónios valeu ao projeto liderado por <strong>Nuno Apóstolo</strong>, investigador do MIA-Portugal (Universidade de Coimbra), um prémio monetário de 20 mil euros, que poderá ser complementado, numa fase posterior, por um investimento adicional de 30 mil euros para apoiar o desenvolvimento da tecnologia. Em entrevista, o cientista explica como esta nova abordagem pode revolucionar o tratamento do Alzheimer e de outras tauopatias, interrompendo a progressão da doença e abrindo caminho para novas soluções terapêuticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>News Farma (NF) I O seu projeto foi distinguido pela descoberta de um mecanismo biológico até agora desconhecido que está na génese da progressão da doença de Alzheimer e outras tauopatias. De forma simples, o que é que a equipa descobriu sobre a forma como a proteína tau patológica infeta e se propaga entre os neurónios?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nuno Apóstolo (NA) I</strong> Para explicar de forma simples, é preciso pensar na doença de Alzheimer e noutras tauopatias como um incêndio que se propaga no cérebro, de neurónio em neurónio, provocando morte celular. A proteína tau, quando assume propriedades patológicas, não fica confinada a um único neurónio: ela sai para o espaço entre as células e &#8220;invade&#8221; os neurónios vizinhos, espalhando a doença por regiões cada vez mais alargadas do cérebro. Sabíamos que existia uma &#8220;porta de entrada&#8221; à superfície celular nos neurónios responsável por deixar essa tau tóxica entrar. O que a nossa equipa descobriu foi um complexo proteico que poderá fazer parte desse mecanismo biológico que funciona como uma espécie de fechadura natural nessa porta de entrada de tau nos neurónios saudáveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta descoberta nasceu do estudo de uma tauopatia autoimune rara e ainda pouco conhecida, a doença de anti-IgLON5, em que o próprio sistema imunitário do doente produz anticorpos que atacam esta proteína. A nossa hipótese é que estes anticorpos interferem com o mecanismo biológico por nós identificado, como que se arrombassem a fechadura, permitindo que a tau patológica entre livremente e desencadeie a neurodegeneração. Esta doença rara tornou-se, assim, uma janela única para percebermos um mecanismo que pode estar por trás de tauopatias muito mais comuns, como a doença de Alzheimer.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I A investigação já apresenta resultados preliminares que validam este novo mecanismo. O que é que estes dados já nos conseguem dizer sobre a eficácia de bloquear a internalização da proteína tau e qual é o nível de solidez desta prova de conceito nesta fase?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NA I</strong> Os dados que já temos são muito encorajadores e assentam em várias linhas de evidência independentes que se reforçam mutuamente. Primeiro, através de técnicas de proteómica e bioquímica confirmámos, em linhas celulares e em neurónios, que este complexo existe e é algo que conseguimos visualizar e quantificar em laboratório.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois, e este é o resultado que mais nos entusiasma, mostrámos que quando potenciamos a interação deste complexo em células, a captação de tau para dentro dessas células diminui de forma significativa. Isto é a primeira demonstração funcional de que reforçar este mecanismo poderá funcionar como um escudo que protege efetivamente contra a entrada de tau tóxica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante sermos rigorosos: estamos numa fase de prova de conceito, o que significa que ainda temos um caminho para percorrer até um tratamento disponível para os doentes. Mas a combinação da descoberta do mecanismo, da validação bioquímica da interação deste complexo, e agora desta evidência funcional inicial, dá-nos uma base científica sólida para avançar com confiança para a fase seguinte: desenhar terapias capazes de reproduzir este efeito protetor de forma controlada.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Atualmente, cerca de 57 milhões de pessoas sofrem de tauopatias no mundo. Na prática clínica e na Neurologia, as opções terapêuticas continuam a ser muito limitadas na capacidade de travar a progressão destas doenças. Se a vossa estratégia for bem-sucedida, de que forma é que ela poderá revolucionar a abordagem médica e o prognóstico destes doentes no futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NA I</strong> Ao dia de hoje, quando falamos de tratamentos para tauopatias, falamos essencialmente de terapias que visam aliviar alguns sintomas, mas não travam a doença. Nas últimas duas décadas, dezenas de ensaios clínicos com anticorpos anti-tau falharam consistentemente, e uma das razões principais é que essas abordagens tentam remover a tau patológica depois de ela já ter causado dano, ou não conseguem sequer entrar em quantidade suficiente no cérebro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nossa estratégia representa uma mudança de paradigma: em vez de tentar remover tau tóxica já instalada dentro dos neurónios afetados, propomos impedir que esta entre em neurónios saudáveis. Ao desenvolver pequenas moléculas, muito mais pequenas do que os anticorpos, com maior potencial para atravessar a barreira hematoencefálica e chegar ao cérebro, pretendemos bloquear especificamente essa via de entrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se formos bem-sucedidos, isto poderá significar no futuro um tratamento modificador da doença, uma intervenção focada não apenas em controlar os sintomas, mas que trava, ou pelo menos atrasa significativamente, a progressão da neurodegeneração. E porque este mecanismo de propagação de tau tóxica entre neurónios é comum a várias tauopatias, o potencial impacto deste projeto estende-se para além da doença de anti-IgLON5 e a doença de Alzheimer.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Durante a cerimónia de entrega do prémio, referiu que o grande objetivo é &#8220;reduzir o impacto negativo desta doença na sociedade&#8221;. Além do benefício clínico direto para o doente, que tipo de ganhos a nível socioeconómico e na qualidade de vida dos cuidadores e familiares estima que uma terapia deste género possa trazer?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NA I</strong> Quando falamos em &#8220;reduzir o impacto negativo desta doença na sociedade&#8221;, pensamos não só no doente, mas em todo o ecossistema societal à sua volta. As tauopatias, e a doença de Alzheimer em particular, não afetam apenas quem é diagnosticado: afetam cônjuges que se tornam cuidadores a tempo inteiro, filhos que interrompem carreiras para cuidar dos pais, e famílias inteiras que veem o seu equilíbrio financeiro e emocional posto à prova durante anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista socioeconómico, o impacto global da demência ultrapassa os 100 mil milhões de euros por ano só na Europa, um valor que tende a crescer exponencialmente com o envelhecimento da população mundial. Uma terapia que consiga atrasar a progressão da doença tem um efeito multiplicador: reduz a necessidade de cuidados de longa duração, permite que os doentes mantenham autonomia e qualidade de vida por mais tempo, e alivia a pressão sobre sistemas de saúde já sobrecarregados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas há também uma dimensão mais humana e difícil de quantificar: cada mês adicional em que um doente reconhece a família, participa em conversas, ou simplesmente vive com dignidade, representa um ganho imenso para quem o rodeia. É isso que nos move, a possibilidade real de devolver tempo de qualidade às famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I O projeto recebe agora um financiamento inicial de 20 mil euros, que poderá ser complementado com mais 30 mil euros numa fase posterior. Como é que este investimento vai ser distribuído pelas próximas etapas da investigação e quais são os grandes marcos que a equipa pretende atingir nos próximos meses?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NA I</strong> Este apoio inicial de 20 mil euros, com possibilidade de reforço até 30 mil euros numa fase posterior, é absolutamente crucial numa etapa que, na investigação científica, é conhecida como o &#8220;vale da morte&#8221;, aquele momento em que uma descoberta básica é demasiado preliminar para atrair grande investimento industrial, e nem sempre é apoiada por financiamento académico tradicional. O Prémio Inovação Bluepharma | Universidade de Coimbra, ao financiar provas de conceito, permite-nos ultrapassar esta fase crítica do desenvolvimento da investigação. Por isso, iniciativas como este prémio são fundamentais para promover a investigação translacional e acelerar a transformação do conhecimento científico em soluções com impacto na sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos próximos meses, o investimento será canalizado para três frentes essenciais. Primeiro, a caracterização bioquímica e estrutural detalhada do complexo proteico identificado. Segundo, a validação funcional em modelos <em>in vitro</em> de neurónios humanos, confirmando que o reforço desta interação através de pequenas moléculas consegue efetivamente bloquear a entrada de tau patológica. Terceiro, testar a eficácia destas moléculas em modelos mais avançados <em>in vitro</em> e <em>in vivo</em> de propagação de tau e neurodegeneração associados a tauopatias, que mimetizam a agregação patológica da tau observada na doença de Alzheimer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O grande marco que pretendemos atingir é, ao final deste projeto, identificar, caracterizar e validar pequenas moléculas capazes de modular o mecanismo biológico identificado de forma eficaz nos modelos de tauopatia mencionados. Estes resultados formarão uma base sólida para submeter candidaturas a financiamento de maior dimensão, nomeadamente ao Conselho Europeu de Inovação e a fundações internacionais dedicadas à investigação do Alzheimer, e para estabelecer parcerias com a indústria farmacêutica rumo à validação pré-clínica e, esperemos um dia, aos ensaios clínicos.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Créditos fotografia: UC </p>
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		<title>Cientista português nomeado para integrar International Society for Autism Research</title>
		<link>https://myneurologia.pt/atualidade/cientista-portugues-nomeado-para-o-comite-de-lideres-seniores-globais-da-international-society-for-autism-research/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 14:18:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e investigador Miguel Castelo-Branco foi distinguido pela International Society for Autism Research (INSAR) com uma nomeação para o Comité de Líderes Seniores Globais. O reconhecimento internacional destaca o seu percurso de largos anos e a relevante contribuição científica na área do autismo. Miguel Castelo-Branco, [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e investigador <strong>Miguel Castelo-Branco</strong> foi distinguido pela <em>International Society for Autism Research</em> (INSAR) com uma nomeação para o Comité de Líderes Seniores Globais. O reconhecimento internacional destaca o seu percurso de largos anos e a relevante contribuição científica na área do autismo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Miguel Castelo-Branco, que coordena cientificamente o Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra, passa assim a representar Portugal na rede de topo da INSAR.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atribuído exclusivamente a especialistas com vasta experiência e liderança reconhecida aquém e além-fronteiras, este título integra o investigador num órgão criado em 2019. O Comité de Líderes Seniores Globais funciona como uma plataforma internacional desenhada para mapear o estado da arte e as prioridades da investigação sobre o autismo em diferentes regiões do mundo, servindo de bússola para as futuras estratégias da INSAR.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Composto por representantes eleitos de várias geografias para mandatos de três anos, o comité tem ainda como missão capacitar a comunidade científica local. Neste papel, os membros seniores atuam como pontos de contacto e referências de excelência no incentivo à promoção e ao desenvolvimento da investigação sobre perturbações do espetro do autismo nos respetivos países.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Fonte: UC</p>
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		<title>Centro para tratamento de doenças do cérebro com tecnologia digital inaugurado em Portugal</title>
		<link>https://myneurologia.pt/atualidade/centro-para-tratamento-de-doencas-do-cerebro-com-tecnologia-digital-inaugurado-em-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 14:11:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Fundação Champalimaud (FC) abriu um novo centro clínico dedicado ao tratamento de doenças neurodegenerativas e acidentes  vasculares cerebrais. O DNTx Centre, que representa um investimento de mais de sete milhões de euros, combina os cuidados médicos tradicionais, recorrendo à Neurologia e à Psiquiatria, com ferramentas digitais avançadas, como videojogos terapêuticos, ambientes de realidade virtual e estimulação cerebral não [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A Fundação Champalimaud (FC) abriu um novo centro clínico dedicado ao tratamento de doenças neurodegenerativas e acidentes  vasculares cerebrais. O DNTx Centre, que representa um investimento de mais de sete milhões de euros, combina os cuidados médicos tradicionais, recorrendo à Neurologia e à Psiquiatria, com ferramentas digitais avançadas, como videojogos terapêuticos, ambientes de realidade virtual e estimulação cerebral não invasiva. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O novo centro parte de uma ideia fundamental: o cérebro humano tem uma grande capacidade de se adaptar e de aprender, mesmo quando está doente ou lesionado. Com os estímulos certos (repetidos, intensos e bem direcionados), é possível ajudar o cérebro a recuperar funções perdidas ou a compensar dificuldades causadas por doenças neurológicas e psiquiátricas. Este constitui um passo importante na evolução do Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, onde a investigação é cada vez mais acompanhada pela prática clínica e esta pela investigação, gerando mais e melhores resultados em benefício do doente. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Tecnologias de pontas utilizadas com base em ferramentas científicas e tecnológicas: jogos digitais terapêuticos, que tornam o treino cerebral mais motivador e eficaz; ambientes imersivos (semelhantes à realidade virtual), que estimulam o cérebro de forma  controlada; estimulação cerebral não invasiva, ou seja, técnicas que atuam sobre o cérebro sem necessidade de cirurgia; análise de movimento corporal, para avaliar e melhorar a forma como os doentes se movem; inteligência artificial, para personalizar os tratamentos a cada doente. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A Fundação Champalimaud convidou o neurologista e neurocientista norte-americano John Krakauer (<em>Johns Hopkins University</em>) para o desenvolvimento deste projeto, cuja direção clínica está a cargo do psiquiatra Albino Oliveira-Maia, e de Marcelo Mendonça, neurologista. Juntos, garantem que a investigação científica e o tratamento dos doentes se alimentam mutuamente.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Fonte: Fundação Champalimaud</p>
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		<item>
		<title>Diagnóstico precoce e biomarcadores: o novo paradigma na doença de Alzheimer</title>
		<link>https://myneurologia.pt/entrevistas/diagnostico-precoce-e-biomarcadores-o-novo-paradigma-na-doenca-de-alzheimer/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 14:03:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A doença de Alzheimer manifesta-se muito antes das falhas de memória, sendo estas últimas apenas uma manifestação tardia de um processo biológico que decorre há anos, como explica Rui Araújo, especialista em Neurologia no Hospital CUF Porto. O diagnóstico preciso e célere depende da utilização estratégica de biomarcadores e de uma articulação reforçada entre os [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A doença de Alzheimer manifesta-se muito antes das falhas de memória, sendo estas últimas apenas uma manifestação tardia de um processo biológico que decorre há anos, como explica <strong>Rui Araújo</strong>, especialista em Neurologia no Hospital CUF Porto. O diagnóstico preciso e célere depende da utilização estratégica de biomarcadores e de uma articulação reforçada entre os Cuidados de Saúde Primários e os serviços de Neurologia. Assista ao depoimento.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="RUI ARAÚJO" src="https://player.vimeo.com/video/1212605090?h=cb1989249e&amp;dnt=1&amp;app_id=122963" width="640" height="360" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin"></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph">Frequentemente encaradas como o ponto de partida para o diagnóstico, as queixas de memória representam, contudo, uma manifestação tardia de um processo biológico de evolução silenciosa. A Medicina dispõe hoje de biomarcadores, fundamentais para um diagnóstico biológico rigoroso e preciso. O especialista defende que estas ferramentas deixem de ser um recurso final de especialidade e passem a ser aliadas estratégicas na identificação precoce da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O percurso diagnóstico é complexo. As queixas de memória podem mascarar quadros depressivos ou outras alterações metabólicas e endocrinológicas, exigindo profissionais altamente treinados na diferenciação clínica. O principal obstáculo reside na falta de critérios de referenciação articulados entre os Cuidados de Saúde Primários e os Serviços Hospitalares, tornando imperativo que o acesso aos biomarcadores seja regulado e a sua interpretação assegurada por profissionais com a devida competência técnica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rui Araújo defende que o sucesso desta translação para a prática clínica depende de uma articulação contínua e eficaz. A prioridade passa por capacitar os Cuidados de Saúde Primários na identificação precoce de doentes em risco, através de uma análise rigorosa das queixas apresentadas. Ao consolidar esta ponte com a Neurologia, responsável pela solicitação e interpretação especializada dos biomarcadores, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) garantirá que cada doente aceda, atempadamente, ao percurso terapêutico mais adequado e eficaz.</p>
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		<title>Dieta mediterrânica e ómega-3 impulsionam capacidade de raciocínio na adolescência</title>
		<link>https://myneurologia.pt/atualidade/dieta-mediterranica-e-omega-3-impulsionam-capacidade-de-raciocinio-na-adolescencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 08:56:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudos conduzidos pelo IRB CatSud, em estreita colaboração com o Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), revelam que a adesão à dieta mediterrânica e a presença de hábitos de vida saudáveis desempenham um papel crucial no desenvolvimento cognitivo durante a adolescência. Publicadas na revista científica Nutrients, as investigações cruzaram dados sobre nutrição, bem-estar emocional [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Estudos conduzidos pelo IRB CatSud, em estreita colaboração com o Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), revelam que a adesão à dieta mediterrânica e a presença de hábitos de vida saudáveis desempenham um papel crucial no desenvolvimento cognitivo durante a adolescência. Publicadas na revista científica <em>Nutrients</em>, as investigações cruzaram dados sobre nutrição, bem-estar emocional e estilo de vida com o desempenho cerebral de cerca de 630 jovens, demonstrando o impacto direto da alimentação na estrutura cognitiva em crescimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro trabalho de investigação, que recebeu o título &#8220;A Associação entre a Dieta Mediterrânica e os Ácidos Gordos nos Glóbulos Vermelhos dos Adolescentes Espanhóis&#8221;, focou-se em encontrar um indicador objetivo dos hábitos alimentares dos jovens. Para isso, a equipa analisou a correlação direta entre o nível de adesão ao padrão alimentar mediterrânico e o tipo de gorduras que circulam no sangue dos participantes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os dados obtidos confirmaram que este modelo alimentar — caracterizado pelo consumo abundante de vegetais, leguminosas, azeite e peixe — otimiza a absorção de nutrientes vitais para o equilíbrio metabólico e para a performance cerebral. Do ponto de vista biológico, a riqueza desta dieta em ácidos gordos ómega-3 revelou-se fundamental para assegurar o equilíbrio dos neurónios e proteger o cérebro contra os danos provocados pelo stresse oxidativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No segundo estudo, intitulado &#8220;Padrões de Ácidos Gordos nos Glóbulos Vermelhos e Funções Cognitivas em Adolescentes&#8221;, os investigadores concentraram-se em perceber como a presença destas gorduras saudáveis no sangue se traduzia em competências do dia a dia, tais como a memória, a capacidade de raciocínio e a tomada de decisões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As principais conclusões indicam que os jovens com maiores concentrações sanguíneas de ómega-3 registam uma <em>performance </em>visivelmente superior em testes de raciocínio e em componentes específicas do processo de tomada de decisão.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Estas capacidades, que se desenvolvem intensamente durante a adolescência, são fundamentais para a função cognitiva e podem ser influenciadas tanto por fatores biológicos como pelo estilo de vida&#8221;, alertam os investigadores responsáveis pelo estudo.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">As conclusões reforçam a importância de promover políticas de educação alimentar dirigidas às famílias e às escolas, demonstrando que o prato do adolescente dita, em grande parte, o potencial da sua atividade cerebral e do seu rendimento escolar.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Fonte: LUSA</p>
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		<item>
		<title>Cérebro e coluna: envelhecem juntos, protegem-se juntos</title>
		<link>https://myneurologia.pt/opiniao/cerebro-e-coluna-envelhecem-juntos-protegem-se-juntos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 08:51:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>À medida que envelhecemos, a nossa atenção foca-se frequentemente no declínio cognitivo, negligenciando o papel que a estrutura física de suporte desempenha na saúde global. Num artigo de opinião assinado por Carla Reizinho, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV), a especialista defende uma perspetiva integrada do sistema nervoso. A propósito do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">À medida que envelhecemos, a nossa atenção foca-se frequentemente no declínio cognitivo, negligenciando o papel que a estrutura física de suporte desempenha na saúde global. Num artigo de opinião assinado por <strong>Carla Reizinho</strong>, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV), a especialista defende uma perspetiva integrada do sistema nervoso. A propósito do Dia Mundial do Cérebro, a também neurocirurgiã na Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental e no Hospital da Luz explica que a integridade da coluna vertebral e da medula espinhal é indissociável da saúde neurológica. O desgaste degenerativo da coluna não se limita a causar desconforto físico; a dor crónica e persistente interfere diretamente com o foco, a tomada de decisões e o bem-estar mental, originando um ciclo de isolamento e perda de autonomia. Para quebrar este ciclo, a neurocirurgiã realça a partilha de fatores de proteção, com particular destaque para a atividade física regular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando pensamos em envelhecer bem, é frequente preocuparmo-nos com a memória, a concentração ou o risco de demência. Falamos do cérebro. Muito menos vezes falamos da coluna vertebral. No entanto, estas duas estruturas estão intimamente ligadas e desempenham um papel fundamental na nossa autonomia, mobilidade e qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cérebro é o centro de comando do organismo. Através da medula espinhal, envia ordens aos músculos e recebe informação proveniente de todo o corpo. A coluna vertebral protege esta importante via de comunicação, permitindo que possamos andar, trabalhar, manter o equilíbrio, realizar as tarefas do dia a dia e interagir com o mundo que nos rodeia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ligação entre cérebro e coluna vai, porém, muito além da anatomia. Hoje sabemos que a dor crónica associada às doenças da coluna não afeta apenas “as costas ou o pescoço”. A dor persistente pode interferir com a atenção, a memória, a capacidade de concentração e a tomada de decisões. Está também associada a maiores níveis de ansiedade, depressão, perturbações do sono e isolamento social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, quando a dor ou a incapacidade limitam a mobilidade, as consequências fazem-se sentir em todo o organismo. Movemo-nos menos, participamos menos em atividades sociais, reduzimos a prática de exercício físico e perdemos oportunidades de estimulação cognitiva. Em muitos casos, instala-se um ciclo de perda progressiva de autonomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tal como o cérebro, a coluna também envelhece. O desgaste natural das estruturas vertebrais favorece o aparecimento de doenças degenerativas, que quando num nível suficiente de gravidade, constituem uma das principais causas de dor e incapacidade na população adulta. Com o aumento da esperança de vida, estima-se que cada vez mais pessoas vivam com problemas relacionados com a coluna, tornando essencial encarar a saúde do sistema nervoso de forma integrada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas existe uma boa notícia: cérebro e coluna partilham muitos dos mesmos fatores de proteção. Entre eles, destaca-se a atividade física regular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O movimento ajuda a preservar a força muscular, a mobilidade, o equilíbrio e a saúde da coluna vertebral. Ao mesmo tempo, melhora a circulação sanguínea cerebral, estimula a formação de novas ligações neuronais e contribui para manter a memória, a capacidade de aprendizagem e o bem-estar emocional. Atualmente, o exercício físico é reconhecido como uma das estratégias mais eficazes para promover um envelhecimento saudável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também uma alimentação equilibrada, um sono adequado, a manutenção de um peso saudável e a estimulação cognitiva contribuem para preservar a saúde do sistema nervoso ao longo da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste Dia Mundial do Cérebro, celebrado a 22 de julho, vale a pena recordar que a saúde neurológica não depende apenas do cérebro. Depende igualmente da integridade da medula espinhal, da proteção oferecida pela coluna vertebral e dos hábitos que adotamos diariamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Envelhecer com qualidade não significa apenas viver mais anos. Significa manter a capacidade de pensar, mover-se, participar e ser independente. E para isso, cérebro e coluna devem ser cuidados em conjunto.</p>
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		<title>Demência: carga económica europeia ultrapassa 221 mil milhões de euros e expõe peso crítico dos cuidados informais</title>
		<link>https://myneurologia.pt/atualidade/demencia-carga-economica-europeia-ultrapassa-221-mil-milhoes-de-euros-e-expoe-peso-critico-dos-cuidados-informais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 13:59:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A demência é uma patologia que não só apresenta elevado impacto clínico, como também tem uma carga económica e social expressiva. De acordo com um estudo publicado no Journal of Alzheimer’s Disease, o custo anual da demência em 30 países europeus é de 221 mil milhões de euros, evidenciando a magnitude desta patologia no contexto dos sistemas de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A demência é uma patologia que não só apresenta elevado impacto clínico, como também tem uma carga económica e social expressiva. De acordo com um estudo publicado no <em>Journal of Alzheimer’s Disease</em>, o custo anual da demência em 30 países europeus é de 221 mil milhões de euros, evidenciando a magnitude desta patologia no contexto dos sistemas de saúde e das economias nacionais. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Importa salientar que cerca de 58% deste encargo está associado a cuidados informais não remunerados, prestados maioritariamente por familiares e cuidadores informais, correspondendo a aproximadamente 128 mil milhões de euros anuais, valor que excede os custos diretos de saúde, estimados em 93 mil milhões de euros. Estes dados sublinham o papel central, embora frequentemente subvalorizado, do suporte informal na gestão da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2019, estimava-se que cerca de 8,8 milhões de indivíduos viviam com demência nestes países, representando um impacto económico equivalente a 1,6% do produto interno bruto regional. A evolução demográfica, marcada pelo envelhecimento populacional, antecipa um aumento significativo tanto da prevalência da demência como da sua carga económica nas próximas décadas. Para além da dimensão financeira, a demência permanece uma das principais causas de incapacidade, dependência funcional e mortalidade na população idosa, com implicações profundas na qualidade de vida dos doentes e dos seus cuidadores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O custo médio anual por doente foi estimado em aproximadamente 25.200 euros, com variabilidade considerável entre países. Alemanha, Itália, Reino Unido, França e Espanha concentram cerca de 68% do custo total estimado, refletindo diferenças demográficas e organizacionais nos sistemas de cuidados. O estudo, integrado na iniciativa da <em>European Academy of Neurology </em>(EAN), no âmbito do projeto <em>Cost of Illness in Neurology </em>in Europe (COIN-Eu), baseou-se numa revisão sistemática de 45 estudos europeus publicados entre 2010 e 2023, combinando estes dados com estimativas de prevalência do <em>Global Burden of Disease</em> 2021.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para além dos custos diretos e indiretos, é fundamental reconhecer a carga significativa suportada pelos cuidadores informais, frequentemente associada a morbilidade psicológica, exaustão física e impacto negativo na saúde global. Neste contexto, é necessário o desenvolvimento de políticas de saúde integradas que incluam o reforço de infraestruturas de cuidados, estratégias de diagnóstico precoce, apoio estruturado aos cuidadores e implementação de medidas preventivas dirigidas a fatores de risco modificáveis. Adicionalmente, torna-se premente a uniformização metodológica na avaliação dos custos associados à demência, particularmente no que respeita aos cuidados informais, de modo a otimizar o planeamento em saúde e a alocação de recursos.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><strong>Referência Bibliográfica</strong></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Montes-Martinez, M., Welter, L.S., Boon, P. et al. (2026). The Economic Burden of Dementia in Europe: COIN-Eu Dementia. <em>Journal of Alzheimer&#8217;s Disease.</em></p>
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		<title>EAN 2026: &#8220;A tecnologia deixou de ser uma perspetiva futura para fazer parte da prática neurológica&#8221;</title>
		<link>https://myneurologia.pt/entrevistas/ean-2026-a-tecnologia-deixou-de-ser-uma-perspetiva-futura-para-fazer-parte-da-pratica-neurologica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 16:20:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O papel da inteligência artificial como aliada da decisão clínica e a afirmação de Portugal na vanguarda da Neurologia europeia marcaram o Congresso Anual da European Academy of Neurology (EAN 2026), que decorreu em Genebra. Em entrevista, Miguel Silva Miranda, o único português que integra o prestigiado programme committee do evento como representante da Resident [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O papel da inteligência artificial como aliada da decisão clínica e a afirmação de Portugal na vanguarda da Neurologia europeia marcaram o Congresso Anual da <em>European Academy of Neurology</em> (EAN 2026), que decorreu em Genebra. Em entrevista, <strong>Miguel Silva Miranda</strong>, o único português que integra o prestigiado <em>programme committee</em> do evento como representante da <em>Resident and Research Fellow Section</em> (RRFS), faz o balanço de uma edição dominada pelo mote &#8220;Brains, Bytes, &amp; Beyond: Tech in Neurology&#8221;. Saiba mais sobre a experiência do especialista no evento. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>News Farma (NF) I Sendo o representante da <em>Resident and Research Fellow Section</em> no <em>programme committee</em> da EAN, em que consiste detalhadamente o seu papel e como foi a experiência de ajudar a desenhar os bastidores científicos de um congresso desta magnitude?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Miguel Silva Miranda (MSM) I </strong>Na verdade, trabalho como <em>Resident and Research Fellow Section</em> <em>Representative</em> há quatro anos, tendo participado na organização das edições do congresso em Budapeste, Helsínquia e agora em Genebra. Durante o internato, candidatei-me a uma <em>open call</em> via carta de motivação, tendo sido selecionado para esta posição que mantenho até aos dias hoje, agora já como recém-especialista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A organização de um congresso desta dimensão é sempre complexa e cada edição traz os seus próprios desafios. Apesar destes desafios, participar na preparação do congresso acaba sempre por recompensar – seja pelo <em>networking</em> com colegas europeus de referência em várias subespecialidades da Neurologia, seja pela aquisição de <em>soft skills</em> que nos são muitos úteis e transversais a outras áreas da nossa vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em relação ao meu trabalho no <em>programme committee</em>: geralmente temos uma reunião mensal por zoom e duas reuniões presenciais em Viena e no congresso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo do ano, participamos em várias atividades diferentes: definimos o <em>overarching theme</em> para o congresso (geralmente com uma antecedência de dois anos). Criamos várias propostas, que são submetidas ao <em>Board</em> da EAN, que opta pelo tema final.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De resto, sugerimos novos modelos de sessões para o congresso, revemos e selecionamos as propostas para simpósios e <em>workshops </em>submetidas pelos painéis científicos e membros individuais da EAN e avaliamos <em>abstracts</em> para apresentação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por ser representante da RRFS, juntamente com uma colega da Noruega, sou ainda responsável por propor quatro sessões especificas que acontecem anualmente no congresso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De resto, durante o evento, temos geralmente um papel ativo, que inclui geralmente moderação de sessões e participação noutras atividades da RRFS.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I O mote deste ano foi <em>&#8220;</em>Brains, Bytes, &amp; Beyond: Tech in Neurology<em>&#8220;</em>. De que forma é que esta premissa marcou a dinâmica do evento em Genebra e moldou a experiência dos presentes ao longo dos dias?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MSM I </strong>O tema deste ano esteve verdadeiramente presente em toda a programação científica e não se limitou a uma mensagem institucional. A tecnologia surgiu como um eixo transversal, integrada em praticamente todas as áreas da Neurologia. Desde a inteligência artificial aplicada ao diagnóstico e interpretação de exames, à utilização de biomarcadores digitais, dispositivos <em>wearables</em>, telemedicina e ferramentas de apoio à decisão clínica, ficou claro que estamos a entrar numa nova fase da prática neurológica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Várias sessões discutiram não apenas as oportunidades da inteligência artificial, mas também as suas limitações, os desafios éticos, a necessidade de validação clínica dos algoritmos e a importância de manter o doente no centro dos cuidados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Destaco as sessões “AI in Hospital Neurology: acute stroke, disorders of consciousness, identification and diagnosis of multiple sclerosis”, “AI in Outpatient Neurology: epilepsy, Parkinson’s disease and headache care” e “Symposium – innovations in Neurology: from brain machine interface to AI”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes de mais, importa sublinhar que uma das mensagens mais relevantes transmitidas ao longo do congresso foi a de que a inteligência artificial não pretende substituir o neurologista, mas potenciar a sua capacidade de decisão clínica. Esta ideia foi particularmente bem ilustrada na apresentação do Prof. James Teo, Professor de Neurologia e diretor de <em>Data Science and AI</em> no <em>King&#8217;s College Hospital</em>, e cofundador do projeto <em>CogStack</em>, uma das plataformas de inteligência artificial mais reconhecidas do NHS para organização e análise de grandes volumes de dados clínicos. Na sua intervenção, refletiu sobre a forma como os neurologistas podem manter-se relevantes e insubstituíveis na era da inteligência artificial, defendendo que o verdadeiro valor do clínico reside na capacidade de integrar a informação, interpretar o contexto e tomar decisões centradas no doente. Como exemplo, referiu a evolução da Radiologia: apesar das previsões de que a inteligência artificial reduziria drasticamente a necessidade de radiologistas, verificou-se precisamente o contrário. A maior eficiência proporcionada pela tecnologia aumentou a procura destes profissionais, um fenómeno conhecido como paradoxo de <em>Jevons</em>, demonstrando que a inovação não substitui necessariamente o papel dos especialistas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Com uma grelha de sessões tão vasta e competitiva, o que é que a nível pessoal e profissional mais lhe interessou ou considerou verdadeiramente inovador na programação?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MSM I </strong>A Neurologia é uma especialidade extremamente vasta e o programa científico do congresso reflete bem essa diversidade. Com várias sessões de elevado interesse a decorrer em simultâneo, é difícil escolher apenas algumas. Como a minha atividade clínica e de investigação está mais diferenciada nas áreas das demências e da Medicina do Sono, dediquei naturalmente mais tempo a estas temáticas. Destacaria a apresentação do Dr. Rolf Leipzig sobre os novos tratamentos da insónia e da narcolepsia, bem como a sessão da Dra. Verónica Cabreira dedicada às perturbações cognitivas funcionais, ambas pela sua elevada relevância prática e atualização científica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos momentos mais aguardados do congresso continua a ser a sessão &#8220;Highlights&#8221;, que reúne, de forma muito objetiva, os principais avanços apresentados ao longo dos quatro dias de reunião nas diferentes subespecialidades da Neurologia. É uma excelente oportunidade para obter uma visão global das novidades mais marcantes do congresso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os formatos mais inovadores, destaco as sessões <strong>“</strong>Breakthroughs in Treatment Neurology<strong>”</strong>, que têm um significado especial para mim. Este formato foi introduzido no congresso no ano passado por mim e por uma colega e manteve este ano um lugar de destaque na programação científica. Nestas sessões, os diferentes painéis científicos da EAN apresentam os avanços terapêuticos mais relevantes do último ano em cada área da Neurologia, revendo os principais ensaios clínicos e discutindo o seu potencial impacto na prática clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por fim, as várias sessões dedicadas à inteligência artificial foram particularmente estimulantes, não apenas pela inovação tecnológica que apresentaram, mas também pela reflexão que suscitaram sobre a forma como estas ferramentas poderão transformar a prática clínica, sempre com o neurologista e o doente no centro da decisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Olhando especificamente para a comunidade que representa, quais foram as grandes mensagens e sessões-chave que a EAN preparou para impulsionar a próxima geração de neurologistas europeus?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MSM I</strong> Para os internos e jovens neurologistas, a principal mensagem transmitida pela EAN foi a de que o futuro da especialidade será marcado por profundas transformações científicas, tecnológicas, ambientais e sociais, exigindo uma formação cada vez mais abrangente e multidisciplinar. Nesse sentido, o congresso dedicou um conjunto significativo de sessões aos temas que irão moldar a próxima geração de neurologistas europeus, com especial destaque para a saúde cerebral, a inteligência artificial, a sustentabilidade, a diversidade e a investigação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos grandes pilares estratégicos da EAN é a <em>Brain Health Initiative</em>, uma iniciativa que pretende colocar a saúde cerebral no centro das políticas de saúde europeias e promover uma mudança de paradigma na Neurologia, passando de uma abordagem predominantemente centrada no tratamento da doença para uma visão mais preventiva, focada na promoção da saúde cerebral ao longo da vida. Ao longo do congresso, esta estratégia esteve presente em diversas sessões dedicadas ao futuro da <em>Brain Health Mission</em> e ao desenvolvimento de uma futura <em>European Brain Health Partnership</em>, reforçando a importância da prevenção, do diagnóstico precoce, da investigação e da sensibilização da sociedade para a saúde do cérebro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta visão tem um impacto direto na formação dos jovens neurologistas, que serão chamados a desempenhar um papel cada vez mais ativo não só no tratamento das doenças neurológicas, mas também na promoção da saúde, na investigação, na utilização responsável das novas tecnologias e na definição de políticas públicas. A este desafio junta-se ainda uma nova realidade global: as alterações climáticas e o seu impacto na saúde neurológica. A sessão especial &#8220;The neurology of a changing planet&#8221; abordou precisamente a forma como as alterações ambientais influenciam a incidência, progressão e tratamento das doenças neurológicas, discutindo estratégias para adaptar os sistemas de saúde e preparar os neurologistas para responder aos efeitos do aquecimento global na saúde cerebral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro dos grandes temas do congresso foi a inteligência artificial, refletindo uma das maiores mudanças que a especialidade enfrenta. Neste âmbito, a RRFS organizou várias apresentações dirigidas especificamente à próxima geração de neurologistas. Entre elas destacaram-se &#8220;Clinical decision making in the age of AI: Weighing the risks of delegation&#8221;, &#8220;How careful use of AI can help and improve clinical decision-making?&#8221; e &#8220;AI in neurology: Risk of de-skilling?&#8221;, que promoveram uma reflexão sobre o potencial da inteligência artificial para apoiar o diagnóstico e a decisão clínica, mas também sobre os riscos de uma dependência excessiva destas ferramentas e da eventual perda de competências clínicas fundamentais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também organizada pela RRFS, a sessão &#8220;Biological and gender differences in neurological disorders, <em>Neurobiological considerations for transgender populations</em>&#8221; e &#8220;Neurological care for LGBTQ+ communities&#8221; colocou em evidência a necessidade de uma Neurologia mais inclusiva e adaptada à diversidade das populações, sublinhando a importância de integrar as diferenças biológicas, de género e de orientação sexual na prestação de cuidados neurológicos, contribuindo para uma Medicina mais personalizada e equitativa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No seu conjunto, o congresso transmitiu uma mensagem clara: o neurologista do futuro terá de conjugar excelência clínica com capacidade de investigação, domínio das novas tecnologias, sensibilidade para as questões da diversidade, consciência do impacto das alterações climáticas na saúde cerebral e um papel ativo na promoção da<strong> </strong>saúde cerebral, contribuindo para uma neurologia mais inovadora, preventiva e centrada nas necessidades da sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I A EAN é, por excelência, um ponto de encontro global que junta profissionais de dezenas de países. Como avalia a participação e o interesse dos presentes nesta edição? Sentiu uma comunidade unida na discussão dos desafios futuros da Neurologia?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MSM I </strong>Sem dúvida. A EAN continua a afirmar-se como um dos principais fóruns mundiais de discussão em Neurologia, reunindo profissionais de diferentes gerações, contextos e sistemas de saúde, mas com um objetivo comum: melhorar os cuidados prestados aos doentes através da ciência e da colaboração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Genebra, foi evidente uma participação muito ativa, com salas constantemente preenchidas, elevado nível de interação nas sessões científicas e uma grande adesão às atividades de formação, <em>workshops </em>e eventos de <em>networking</em>. Além da qualidade das apresentações, houve um interesse genuíno na discussão crítica dos resultados e na troca de experiências entre colegas de diferentes países, algo que considero um dos maiores pontos fortes da EAN.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também me pareceu que existiu um consenso alargado relativamente aos grandes desafios que a Neurologia enfrenta na próxima década. A integração responsável da inteligência artificial na prática clínica, o acesso equitativo às novas terapêuticas, a implementação da medicina de precisão, a crescente carga das doenças neurodegenerativas e a necessidade de reforçar a investigação colaborativa foram temas recorrentes ao longo de todo o congresso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto representante da <em>Resident and Research Fellow Section</em>, foi particularmente gratificante perceber que os jovens neurologistas fazem hoje parte ativa destas discussões. A EAN tem promovido uma integração cada vez maior dos internos e jovens investigadores nas suas estruturas científicas e organizativas, reconhecendo que as soluções para os desafios futuros devem ser construídas com o contributo da próxima geração. Essa abertura ao diálogo entre diferentes experiências, países e fases da carreira é, na minha perspetiva, uma das maiores forças da comunidade neurológica europeia.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>NF I Que balanço geral faz da representação de Portugal no congresso e que principais aprendizagens traz na bagagem desta edição de 2026?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>MSM I </strong>A representação portuguesa voltou a ser muito positiva e bastante visível em diferentes vertentes do congresso. De um total de 9700 participantes inscritos no congresso, Portugal foi o nono país com mais participantes. Além da participação científica através de comunicações e <em>posters</em>, vários neurologistas portugueses integraram o programa oficial como moderadores e palestrantes. Não tive oportunidade de assistir a todas as sessões, mas destaco a apresentação fantástica “How to make a positive diagnosis of functional cognitive disorder” da Dra.Verónica Cabreira (ULS São João), a sessão “Menopause and stroke” prelectada pela Prof.Diana Aguiar de Sousa (ULS São José) e a sessão “Early-onset hyperkinetic movement disorders” apresentada pela Dra.Vanessa Carvalho (ULS Santa Maria). Para os participantes que não tiveram oportunidade de assistir presencialmente, as sessões gravadas mantem-se disponíveis na plataforma do congresso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De resto, destaco também a presença na comunidade portuguesa nas várias atividades da RRFS. Portugal é o 4.º país com mais membros na RRFS. Nas posições de <em>working group representatives,</em> sete dos 15 cargos são ocupados por portugueses. Portanto, durante o congresso, além da participação nas atividades científicas, estes membros mantiveram um papel ativo em várias reuniões, seja dos seus comités, seja na <em>National Representatives Meeting</em> e/ou Assembleia geral da RRFS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pessoalmente, levo desta edição duas grandes aprendizagens. A primeira é que a tecnologia — desde a inteligência artificial às ferramentas digitais de apoio à decisão clínica — deixou de ser uma perspetiva futura para passar a fazer parte da prática neurológica, exigindo que todos nos adaptemos a esta nova realidade. A segunda é a importância crescente da colaboração internacional. Os grandes desafios da Neurologia, sobretudo nas doenças raras, neurodegenerativas e na Medicina de Precisão, só poderão ser respondidos através de redes multicêntricas, partilha de dados e projetos colaborativos. Nesse contexto, Portugal tem todas as condições para continuar a desempenhar um papel relevante e acredito que a participação nacional na EAN reflete precisamente essa ambição.</p>
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		<item>
		<title>Opção terapêutica oral aprovada na Europa para o tratamento agudo da enxaqueca em adultos</title>
		<link>https://myneurologia.pt/atualidade/opcao-terapeutica-oral-aprovada-na-europa-para-o-tratamento-agudo-da-enxaqueca-em-adultos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 09:31:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Atualidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://myneurologia.pt/?p=213346</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Comissão Europeia (CE) aprovou uma nova indicação para um fármaco oral pertencente à classe dos antagonistas do recetor do CGRP, alargando a sua utilização ao tratamento agudo de crises de enxaqueca, com ou sem aura, em adultos. Esta molécula passa assim a ser a única desta classe terapêutica aprovada na União Europeia com dupla [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A Comissão Europeia (CE) aprovou uma nova indicação para um fármaco oral pertencente à classe dos antagonistas do recetor do CGRP, alargando a sua utilização ao tratamento agudo de crises de enxaqueca, com ou sem aura, em adultos. Esta molécula passa assim a ser a única desta classe terapêutica aprovada na União Europeia com dupla indicação: tanto para atuar no momento da crise de dor (conforme necessário), como para a profilaxia contínua em doentes que sofram de, pelo menos, quatro dias de enxaqueca por mês. A decisão fundamentou-se nos resultados do ensaio clínico de Fase 3 ECLIPSE, que demonstrou uma eficácia estatisticamente significativa na ausência de dor ao fim de duas horas, mantendo o efeito clínico e a consistência ao longo de múltiplas crises, o que representa um avanço importante na flexibilidade e segurança do portefólio de cuidados destinados a quem vive com esta patologia debilitante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A aprovação de atogepant pela Comissão Europeia constitui um marco importante para as pessoas que necessitam de tratamento agudo para a enxaqueca. Os dados clínicos demonstraram que atogepant proporciona um alívio rápido e duradouro das crises de enxaqueca, incluindo a ausência sustentada de dor até 48 horas”, refere Roopal Thakkar, vice-presidente executivo de investigação e desenvolvimento e diretor científico da AbbVie. “Com esta aprovação, a AbbVie consegue dar resposta às necessidades não satisfeitas das pessoas que vivem com enxaqueca na Europa, oferecendo um vasto portefolio de tratamentos agudos e preventivos para a enxaqueca crónica e episódica.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A enxaqueca é uma doença neurológica prevalente e debilitante, que afeta cerca de 14% da população mundial,(2) com uma incidência mais elevada nas mulheres do que nos homens.(3) Particularmente comum entre indivíduos com idades compreendidas entre os 25 e os 55 anos, (4) as crises de enxaqueca podem caracterizar-se por dores de cabeça intensas e latejantes, comprometimento cognitivo, sensibilidade à luz e ao som e náuseas, resultando em limitações significativas nas atividades diárias. (5,6) A enxaqueca é uma das principais causas de anos vividos com incapacidade e afeta profundamente a qualidade de vida.(7) Esta doença debilitante impõe também um fardo social e financeiro tanto para as pessoas que vivem com enxaqueca como para os sistemas de saúde.(8) De acordo com uma análise recente realizada em seis países europeus, estima-se que a enxaqueca represente um fardo económico de 1,2% a 2,0% do PIB, correspondendo entre 35 mil milhões a 557 mil milhões de euros em perda de produtividade, tanto no trabalho remunerado como no não remunerado respetivamente. (9)</p>



<p class="wp-block-paragraph">“A enxaqueca é uma doença invisível que perturba a vida quotidiana, incluindo momentos significativos com amigos e familiares, ao mesmo tempo que impõe encargos mentais, físicos e socioeconómicos significativos”, afirma Uwe Reuter, professor de Neurologia no Hospital Universitário Charité, em Berlim, e presidente da Federação Europeia de Cefaleias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“O estudo pivotal de Fase 3 demonstrou que atogepant é uma opção de tratamento agudo eficaz para a enxaqueca e que o acesso ao tratamento adequado pode ajudar os médicos a lidar melhor com o fardo desta doença nas pessoas que vivem com enxaqueca.”</p>



<p class="wp-block-paragraph">A aprovação de atogepant baseia-se nos dados do ensaio clínico ECLIPSE, de Fase 3, que avaliou a eficácia, a segurança e a tolerabilidade de atogepant (60 mg), em comparação com o placebo, no tratamento agudo de uma única crise de enxaqueca e a consistência do efeito ao longo de várias crises, em adultos com historial de enxaqueca, com ou sem aura. (1) O estudo atingiu o seu&nbsp;<em>endpoint&nbsp;</em>primário, demonstrando que atogepant foi superior ao placebo na obtenção da ausência de dor, duas horas após o tratamento da primeira crise de enxaqueca (p &lt; 0,0001).(1)</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além disso, o estudo demonstrou significância estatística, em comparação com o placebo, em vários&nbsp;<em>endpoints&nbsp;</em>secundários classificados, incluindo a ausência do sintoma mais incómodo, duas horas após o tratamento, o alívio da dor às duas horas, a redução do uso de medicação de resgate, no prazo de 24 horas, e a ausência sustentada de dor entre as 2 e as 48 horas (p &lt; 0,0001). (1) Atogepant também demonstrou um efeito clinicamente significativo, e consistente, ao longo de múltiplas crises de enxaqueca.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante o período de tratamento de 16 semanas, controlado por placebo em dupla ocultação, o perfil de segurança de atogepant revelou-se, em geral, consistente com o observado na sua indicação aprovada para o tratamento preventivo da enxaqueca. Os efeitos indesejáveis mais comuns foram a nasofaringite e a infeção das vias respiratórias superiores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atogepant também está aprovado na União Europeia como um antagonista do recetor CGRP de administração única diária para a profilaxia (prevenção) da enxaqueca em adultos com, pelo menos, quatro dias de enxaqueca por mês.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre o Estudo ECLIPSE</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O ECLIPSE é um ensaio clínico de fase 3, multicêntrico, aleatório,em dupla ocultação, controlado por placebo, com duração de 24 semanas, sobre crises múltiplas de enxaqueca, com uma extensão em regime aberto, que recrutou 1 328 adultos com idades compreendidas entre os 18 e os 75 anos com enxaqueca, com ou sem aura, que tinham tido entre dois e oito ataques de enxaqueca moderados a graves por mês em cada um dos três meses anteriores à triagem. O estudo foi realizado em 149 centros na Europa, no Reino Unido, no Japão, na China, na Coreia do Sul e em Taiwan. O <em>endpoint</em> primário foi a ausência de dor duas horas após a primeira crise, enquanto os principais <em>endpoints</em> secundários incluíram a ausência do sintoma mais incómodo duas horas após a administração da dose, o alívio da dor duas horas após a administração, a redução do uso de medicação de resgate no prazo de 24 horas e a ausência sustentada de dor entre 2 e 48 horas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os participantes do estudo ECLIPSE foram aleatorizados para quatro sequências de tratamento em dupla ocultação, com o objetivo de tratar quatro crises de enxaqueca elegíveis, com intensidade de dor de cabeça moderada ou grave, com uma dose única de atogepant (60 mg) ou placebo durante o período de 16 semanas em dupla ocultação. A primeira crise (repartição 1:1 entre placebo e atogepant) foi a única crise utilizada para avaliar o&nbsp;<em>endpoint</em>&nbsp;primário de eficácia e os 16 desfechos secundários de eficácia. Após o tratamento de quatro crises de enxaqueca elegíveis, durante o período duplo-cego, os participantes entraram num período de tratamento aberto, até ao final do estudo (até à semana 24) e trataram as crises de enxaqueca com uma dose única de atogepant (60 mg).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais informações sobre o ensaio clínico ECLIPSE podem ser consultadas em <a href="https://www.google.com/url?q=http://www.clinicaltrials.gov&amp;source=gmail-imap&amp;ust=1784048360000000&amp;usg=AOvVaw1SkcUdo5ExBiWNfHY7TiDI" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.clinicaltrials.gov</a> (NCT06241313).</p>
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		<title>Gestão da MGg em Portugal: avanços e desafios clínicos</title>
		<link>https://myneurologia.pt/entrevistas/gestao-da-mgg-em-portugal-avancos-e-desafios-clinicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 13:19:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A miastenia gravis generalizada (MGg) exige uma abordagem terapêutica cada vez mais ambiciosa e célere para evitar complicações críticas. Durante o evento Ágora, promovido pela Argenx em Lisboa,  Luísa Medeiros, da ULS São José, alertou para o risco de falência respiratória em doentes não tratados e sublinhou a necessidade de travar o dano irreversível na [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A miastenia gravis generalizada (MGg) exige uma abordagem terapêutica cada vez mais ambiciosa e célere para evitar complicações críticas. Durante o evento Ágora, promovido pela Argenx em Lisboa,  <strong>Luísa Medeiros</strong>, da ULS São José, alertou para o risco de falência respiratória em doentes não tratados e sublinhou a necessidade de travar o dano irreversível na placa motora. Para a especialista, o sucesso do tratamento atual, potenciado pelo desenvolvimento de novos fármacos, depende criticamente da capacidade de realizar um diagnóstico mais precoce e de uma melhor articulação entre especialidades. Veja o vídeo.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="DR. LUÍSA MEDEIROS" src="https://player.vimeo.com/video/1197689720?h=9a123a999f&amp;dnt=1&amp;app_id=122963" width="640" height="360" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture; clipboard-write; encrypted-media; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin"></iframe>
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<p class="wp-block-paragraph">O principal objetivo na gestão da MGg é a interrupção da progressão da doença antes que ocorram danos permanentes. A investigação recente demonstra que existe um &#8220;dano irreversível na placa motora que precisamos de prevenir&#8221; para garantir que o doente mantém uma boa resposta à terapêutica a longo prazo. Sem uma intervenção atempada, sintomas que inicialmente são intermitentes podem tornar-se contínuos devido à degradação da membrana pós-sináptica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do dano estrutural, a ausência de tratamento adequado expõe os doentes a riscos severos, como o internamento por falência respiratória ou dificuldades graves na deglutição (queixas orofaríngeas). Embora estes cenários fossem frequentes no passado, Luísa Medeiros nota que a maior atenção à doença e o surgimento de novas opções farmacológicas permitem hoje tratar &#8220;mais precocemente e melhor os doentes&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um dos maiores obstáculos clínicos permanece o atraso no diagnóstico, muitas vezes causado pela natureza inespecífica dos sintomas iniciais. É comum os doentes recorrerem primeiro a especialidades como a Cardiologia (por fadiga), Gastrenterologia (por dificuldade em engolir) ou Otorrinolaringologia (por voz nasalada), chegando tarde ao neurologista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, a especialista defende uma aposta clara no &#8220;ensino e responsabilização dos colegas&#8221; de Medicina Geral e Familiar e de outras especialidades. Esta sensibilização é a chave para evitar as complicações graves do tratamento convencional e garantir que os doentes beneficiam da inovação científica que tem marcado o estudo desta patologia nos últimos tempos.</p>
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